segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dilema hamletiano


Homem que nasce com a modernidade, Hamlet tinha em mãos uma questão insolúvel: ser ou não ser. Entre agir e divagar, ficava no meio do caminho, pois sua única certeza repousava sobre a condição de sujeito – imperfeita, parcial. Hamlet pensava, logo existia, e isso era o bastante para que soubesse o quão sozinho e abandonado às próprias decisões estava.
Sou ou não sou, pergunto eu. Tecnicamente, muita gente vai responder que sim, que já estou casada. Durmo na mesma cama que ele, divido a vida com ele. Os leitores nada pragmáticos e com tendências românticas (ou moralistas) dirão um sonoro NÃO, que em pleno século XXI estar casada requer aliança, vestido, ritual etc.
Como meu colega de dúvidas, oscilo entre sim, não e porquês, e desconfio que tenho mais a aprender com a história do príncipe da Dinamarca se me concentrar em seu desfecho: depois que consegue desmascarar o tio com dramaturgia, resta a Hamlet morrer por conta da impulsividade – sua única maneira de negar a hesitação.
Quando finalmente age, peca pelo excesso.
Devo eu, Jo, esperar pelos dias e pelas noites até ser pedida em casamento? Devo eu simplesmente esquecer desse blog e não apelar, como Hamlet, para o mimético artifício da representação? Devo (e, se devo, sou capaz?) de temperar as duas condições?
Fala alguma coisa, caveira!

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